Vivemos uma chuva de reclamações sobre a nova geração no ambiente de trabalho.
As empresas não conseguem contratar, começam a ficar desesperadas, buscam pessoas mais velhas ou criam soluções para depender menos de mão de obra.
Desde o ano passado, esse problema caiu no meu colo: contratar novos funcionários.
Em novembro, pensei que realmente ninguém queria trabalhar.
Em dezembro, era óbvio que as festas atrapalhariam.
Mas quando janeiro chegou e nenhum currículo apareceu, o desânimo veio forte.
Foi aí que percebi que talvez o problema não estivesse só nas pessoas.
Decidi focar nos jovens que estão entrando agora no mercado de trabalho, sem experiência. Afinal, alguém precisa dar o primeiro passo. Também mudei o anúncio da vaga. Nada de apresentação bonita da empresa. Apenas o básico, direto e honesto:
Vaga: Primeiro emprego
Empresa: Exemplo. Ltda
O que você vai aprender: lixar peças, usar furadeira de bancada
Local: Rua Ninguém da Silva, 45
Salário: maior que o salário mínimo
Benefícios: vale alimentação e vale transporte
Ser direto não é um erro. Clareza não afasta pessoas — confusão, sim.
O ambiente de trabalho ainda é baseado em uma cultura antiga. Uma lógica quase autoritária, onde o chefe dita regras e o resto obedece. Esse pensamento morreu nos anos 80, mas seguimos fingindo que ele funciona.
O problema não é tecnologia.
É inteligência.
Não precisamos fazer trends ou videozinhos vazios. Precisamos de estratégia.
Uma das minhas maiores dúvidas sobre o Brasil é: como viver depois do trabalho?
Quem trabalha em horário comercial não consegue resolver nada em horário comercial. Banco não funciona no fim de semana. Repartição pública também não. Quando funciona, você perde seu único dia livre. No domingo, então, não há nada.
Acredito que as pessoas estão criando novas fontes de renda para conseguir conciliar trabalho e vida.
Os aplicativos estão aí para isso: fazer o próprio horário, escolher quando e quanto trabalhar.
Mães querem estar perto dos filhos.
Escolhem trabalhos que podem ser feitos de casa.
Começam a vender algo.
Criam negócios pequenos, informais, mas reais.
Existem milhares de trabalhos informais que ganham muito mais do que um salário mínimo. Mas, mais do que dinheiro, essas pessoas ganham vida.
E talvez seja justamente aí que a roda do capitalismo falhe.
Ela não funciona melhor quando as pessoas só trabalham — ela funciona melhor quando as pessoas vivem.
Quando podem ir ao cinema depois do trabalho.
Quando conseguem jantar fora com a família.
Quando têm tempo, energia e vontade de circular, consumir e existir fora do expediente.
Mas hoje estamos todos em um trem lotado, seguindo os mesmos horários e as mesmas regras, mesmo exercendo trabalhos completamente diferentes. E desse jeito, fica impossível.
Então ao invés de fazer videozinho, criar firulas que não tem haver com a sua empresa apenas para contratar pessoas que tal fazer o básico:
Horários masi flexíveis
Salários condizentes com o serviço
Especificar as atividades que os funcionários vão fazer
Ser mais claros sobre o que é esperado
Folgas conversadas e conciliadas com a empresa x funcionário
Sabemos que a nova geração tem maus habitos com o trabalho, mas as vezes não vem deles, sim do que já presenciaram, seus pais trabalhando quando estao doentes, salarios péssimos para muita funções, não ter dias para descanso/ vida. E naturalmente eles fogem disso.
E talvez tenhamos algo incrivel nas maos a chance de moldar esse futuro do trabalho, criando novas soluções, com estratégia, pensando na nossa vida também, há um vazio que só a galera dos 30 + podem começar a fazer.
Acredito fortemente que eu e você que está lendo isso, sabe que nosso propósito não é só ser egoista a respeito da nossa vida, mas também com a nossa sociedade que está perdida, é o tempo de acreditar na nossa força, não há direita e esquerda quando empreendemos, não sejam enganados por lados, o lado é a nossa sociedade, o futuro dos seus filhos, dessa nova geração que ainda pode ser moldada.

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