Recomende uma música brasileira para um gringo! Blog Nunca Fiz

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Recomende uma música brasileira para um gringo!


Recentemente, o Bang Chan, vocalista e dançarino do Stray Kids, que inclusive se apresentará esse ano no Rock in Rio, pediu aos fãs na plataforma Bubble uma indicação de música brasileira.

Entre as recomendações apareceu Marina Sena, e foi curioso observar os comentários. Muitos indicavam nomes mais antigos, como Legião Urbana, e foi aí que eu comecei a me questionar.

Somos um país enorme, culturalmente rico, com muito talento. Mas, olhando para o que está no topo hoje, nem sempre parece que isso é refletido.

Músicas que desvalorizam as mulheres, fazem apologia ao crime ou trazem discursos que influenciam negativamente os jovens ganham espaço com facilidade. E, ao mesmo tempo, artistas incríveis seguem quase invisíveis.

E, sendo bem sincera, antes mesmo de começar a escrever, me veio uma vontade de criticar a música brasileira. Eu estava pronta para isso… até que um outro pensamento me atravessou.

Percebi algo desconfortável: é muito fácil ocupar esse lugar.

Difícil é fazer a outra parte.

Estudar música por anos, aprender um instrumento, treinar a voz, se expor, criar algo e ainda lidar com julgamento. Eu, que me considero uma amante da música, nunca me coloquei nesse lugar.

E isso não vale só para a música.

A gente diz que não existe político confiável, mas não quer entrar na política. Reclama de quem está à frente, mas não quer assumir o peso da responsabilidade. No meu próprio condomínio, ninguém quer ser síndico pelo trabalho que dá, mas a crítica nunca falta para quem está lá há anos.

Então talvez a questão não seja apenas a falta de bons nomes.

Talvez seja também sobre o quanto estamos dispostos a sair do lugar confortável de quem critica e, de alguma forma, participar da construção.

Não significa que todos precisam fazer. Podemos, por exemplo, apoiar bons nomes brasileiros que realmente mostram seu talento. Mas acredito que esse momento também é de construção.

Eu já falei, em outro momento, sobre a importância de se posicionar.

E talvez não seja coincidência esse tema estar voltando pra mim agora, em contextos diferentes, me confrontando do mesmo jeito.

O que me fez vir aqui, a crítica, acabou me levando para outro lugar, o peso da construção. 

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